quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Congresso em 2010 deve fundar uma nova central e fazer avançar a reorganização dos trabalhadores

EDUARDO ALMEIDA NETO
da Direção Nacional do PSTU e editor do Opinião Socialista



• Nos abraços fortes se mostrava a alegria. Em alguns rostos, lágrimas de emoção. Militantes da Conlutas usavam também no peito os adesivos da Intersindical e vice-versa. Terminou em vitória o Seminário Nacional de Reorganização, nos dias 1º e 2 de novembro, em São Paulo. A emoção foi maior porque se definiu convocar um congresso unitário para 2010.

No congresso, a base irá decidir sobre as diferenças apresentadas nos 25 debates regionais que antecederam o seminário. Existiam grandes acordos como a necessária independência frente ao Estado, a perspectiva socialista, a defesa da ação direta das massas como instrumento privilegiado de luta e muitos outros temas. Mas também surgiram diferenças importantes.

As duas maiores eram sobre o caráter da nova central e sobre a composição da direção. Sobre o caráter, a Conlutas defende uma central que, além dos sindicatos, incorpore o movimento popular e estudantil e os movimentos contra as opressões. Já a Intersindical e outros setores defendem uma central fundamentalmente sindical.

Em relação à composição da direção da central, a Conlutas defende que ela seja indicada pela base a partir das organizações filiadas, com os critérios tradicionais de proporcionalidade direta. Já a Intersindical privilegia, em um primeiro momento, um acordo entre as correntes políticas da central.

A Conlutas propôs duas alternativas, caso não se superassem as diferenças: a primeira seria fazer o congresso de unificação em base aos acordos que já existem, e deixar a base do congresso decidir as diferenças, com o compromisso de todos de acatar o resultado da votação. Nesse caso, a Conlutas propunha que os delegados dos sindicatos – cuja participação e poder de voto ninguém questionava – decidissem sobre as diferenças. Uma segunda proposta era de, caso não houvesse acordo, manter uma Comissão de Reorganização, com um plano de ação unificado e a continuidade das discussões, dando tempo para que as diferenças fossem superadas.

Durante o seminário, a discussão sobre estes temas se fez presente já no primeiro ponto, que deveria discutir a conjuntura política. Houve uma novidade importante, com a representante do MTL (Movimento Terra, Trabalho e Liberdade), Janira Rocha, fazendo uma defesa acalorada na necessidade da unidade e apoiando a proposta da Conlutas de que o próprio congresso unificado deliberasse sobre as diferenças. Foi seguida por outros setores, como o MTST, com a mesma compreensão. Nessa noite, na comissão que dirigia os trabalhos, só os representantes da Intersindical seguiam contrários a essa proposta.

No dia seguinte, no entanto, pesaram mais os pontos de acordo existentes e a perspectiva de uma central unitária. A Intersindical reavaliou sua posição, e foi possível apresentar ao plenário uma proposta unificada, que inclui a marcação do congresso unitário para o início de junho de 2010, onde os delegados do movimento sindical e popular irão decidir sobre as diferenças.

A alegria explodiu entre os delegados. Em todos estava presente o sentimento de ter participado de um encontro que pode ter um caráter histórico. Após a aprovação das resoluções e moções, o seminário terminou com os militantes cantando unidos o hino da Internacional.

O que foi dito
“A principal pauta colocada para os trabalhadores hoje é a construção de uma ferramenta que tenha capacidade de pegar tudo o que está fragmentado e colocar junto sob uma única direção.”
Janira Rocha – MTL

“A reorganização é para nós estratégica e central. A fragmentação e o isolamento só reforçam a perda de nossas capacidades e a potência do movimento. Esse processo requer paciência, mas também entendendo a urgência.”
Helena Silvestre – MTST

“Temos pontos divergentes, mas também não são poucos os pontos que nos unem (...) É necessário agora, a fim de avançar na unidade, novas práticas e relações éticas e de fraternidade.”
Lujan Miranda (PSOL e Intersindical)

“Estamos bastante otimistas, pois achamos que nesse seminário foi possível construir as possibilidades reais para a unificação da Intersindical, Conlutas e outros setores. Agora, o próximo período é organizar a luta da classe trabalhadora e construir uma direção à altura dessa tarefa.”
Neida Oliveira, Cpers, Bloco Resistência Socialista – Conlutas

“Esse seminário foi um avanço muito importante na construção dessa ferramenta para a luta dos trabalhadores, dos movimentos sociais e da juventude desse país. Achamos que essa nova central deve ter um caráter sindical, mas também agregar o movimento social, popular e estudantil, pois sabemos que isso irá fortalecer o caráter classista dessa central.”
Saulo Arcangeli (Sintrajufe-MA), PSOL e Conlutas

“Acho que o principal resultado desse seminário foi o agendamento do congresso para 2010 e a resolução de que seja a base que decida. Isso, para o Andes, é fundamental. E essa nova central deve ser democrática, dirigida pela base e, principalmente, tem que ter um nível de liderança muito próxima da que vínhamos fazendo com a Conlutas, com coordenações, reuniões periódicas, para que não voltemos atrás e fazer com que apenas a cúpula decida.”
Milton Vieira do Prado Junior – Andes

“Estamos aqui dando um passo importante na possibilidade de uma alternativa classista, internacionalista. A Pastoral não tem posição fechada sobre o caráter da nova entidade, mas achamos que ela deve ser classista e profundamente democrática.”
Paulo Pedrini – Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo


Resoluções

  • Realização de um congresso, de 3 a 6 de junho de 2010, para a fundação de uma nova central

  • Votam nesse congresso delegados eleitos pelo movimento sindical e movimento popular que estão hoje comprometidos com o processo de reorganização

  • Esse processo será organizado por uma Coordenação pró-central, com a seguinte representação: 9 membros da Conlutas, 9 da Intersindical, dois do MTL, dois do MTST, dois da Unidos para Lutar, dois do MAS, dois da Pastoral Operária, dois da Corrente Trabalho e Emancipação e dois da FOS.

  • Realização de uma plenária durante o Fórum Social Mundial em 2010 em Porto Alegre (RS).

  • Plano de ação para o próximo período, com o apoio ativo às principais lutas.

domingo, 25 de outubro de 2009

Refletindo sobre a parada do Orgulho LGBT

Dialogando sobre os espaços de “sociabilidade”, farei recorte para a V Parada do Orgulho LGBT do Acre, partindo dessa parada para pontuar as diversas paradas.

Mais uma parada do Orgulho LGBT se encerra, não vou nem mencionar o processo de construção, durante o percurso da parada ficou bem visível a falta de posicionamentos do “movimento LGBT”, se é que podemos assim chamar, não só aqui no Estado mais em outros estados as paradas perderam a essência, o momento de visibilidade, de um grande ato político para reafirmar nossas bandeiras de lutas, de ocupar os espaços mostrando que estamos sim em todos os lugares e não em guetos... mas vamos lá, o movimento LGBT na condução da parada em “nada” altera nossa atual situação, reproduz a exclusão, reafirma a lógica hegemônica capitalista burguesa, tanto se “discute” se pensa e problematiza, pelo menos nas práticas discursivas, as bandeiras como equidade de direitos, equidade social, inclusão, visibilidade, o empoderamento e tantas outras...

Trios suntuosos, glamour, luxo ala vip nas paradas?!?!? Nossa, que interessante do ponto de vista da inclusão e da igualdade de direitos, quem realmente tem acesso a esses espaços? Durante o percurso da parada, o momento que concentra uma parcela significativa da população que temos falas nos trios, não deveriam ser falas que de fato dessem visibilidade aos nossos enfrentamentos, pontuando nossos avanços como também nosso processo de luta pela criminalização da homofobia, por uma escola (de fato) inclusiva e sem homofobia, por um Estado Laico de fato, por reconhecimento legal da união estável entre casais homoafetivos, pela adoção de crianças por casais homoafetivos, por respeito, por avanços com marcos civilizatórios, por dignidade, por tudo que estamos anualmente lutando e reafirmando nos encontros, congressos, seminários e outros eventos ou atividades.

Atualmente temos uma “falência” do movimento LGBT, não tomo como regra, mas no conjunto dos fatores que envolvem atualmente o movimento percebemos a falta de compromisso e responsabilidade, o atrelamento ao aparelho do Estado, as trocas de favores e as próprias disputas internas não só por espaço, mas por benesses no governo... Mas mesmo assim ainda encontramos de forma fragilizada militantes que ainda resistem e se colocam nos embates de forma verdadeira e transparente, enfim, o movimento LGBT partindo da discussão das paradas em “nada” tem avançado, grandes festas ricas e luxuosas, que reproduzem não só a exclusão mais a própria condição de poder e status, torna assim esse evento político (pelo menos pra mim) em um evento elitizado, excludente e que acentua a marginalização de pessoas que de uma forma bem clara não tem acesso a tudo que lutamos ou que nos propomos a lutar, é necessário uma profunda reflexão dos militantes tanto sobre nossa atuação como nossa responsabilidade diante dos desafios que são postos.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Repúdio ao Deputado Moisés Diniz, ao Vereador Rodrigo Pinto, ao apresentador Alan Rick e aos evangélicos fundamentalistas

Não tive acesso ainda ao Projeto de Lei que institui o dia Estadual de Combate a Homofobia na íntegra, mas algumas reflexões são relevantes diante das noticias veiculadas no Estado, ao posicionamento de vereadores de Rio Branco contra o Projeto Escola sem Homofobia, como também da recente entrevista do Deputado Moisés Diniz, que foi veiculada na TV Gazeta, no programa Gazeta Entrevista que passou no dia 14/10/2009 às 22:00min.

Vou pontuar alguns trechos da entrevista: o Deputado pediu ao governador do Estado que vetasse o projeto, ele reforçou ainda que o PLC 122/2006 que Criminaliza a Homofobia não tem haver com o projeto proposto por ele, o mesmo Deputado retirou o projeto para não ter de explicar o mesmo em todas as igrejas... Fora as lamentáveis falas, vale ressaltar que o Deputado Moisés Diniz retirou projeto depois de ser pressionado por pastores que se apresentaram como representante dos evangélicos do Estado (obs: os evangélicos somam aproximadamente 40% da população do Acre).

Diante do exposto fica claro a falta de compromisso e responsabilidade com cidadãos que historicamente foram e ainda são marginalizados e excluídos do âmbito do direito e da cidadania, as práticas discursivas tanto do entrevistador: Alan Rick como do Deputado: Moisés Diniz a falta de conhecimento tanto sobre expressões da sexualidade como de nomenclaturas (leia-se: homossexualismo) como no tocante a Constituição Federal, HOMOSSEXUALIDADE não é doença e nem pecado! É expressão da diversidade humana, é uma das muitas faces da complexidade humana, por mais que queiram nos padronizar, nos homogeneizar, somos diversos e plural, mas infelizmente somos tratados como seres de segunda categoria, pois temos os mesmos deveres mas não podemos usufruir dos mesmo direitos, e quando discutimos avanços civilizatórios somos mais uma vez discriminados, o ESTADO BRASILEIRO tem uma divida histórica com nós cidadãos e cidadãs LGBTs, interpretações (errôneas) em leituras fundamentalistas reacionárias baseadas na Bíblia não podem inviabilizar nossos avanços no tocante a eqüidade de direitos, ora, o ESTADO BRASILEIRO é LAICO, não é capricho nosso, é um direito consagrado em nossa Constituição Federal, esse mesmo Estado Laico que assegura a liberdade religiosa, impede que as crenças interfiram nas políticas públicas e na legislação antidiscriminatória, fico me indagando enquanto cidadão portador de direitos, onde meus direitos de fato estão sendo assegurados? Ou não sou portador de direitos? Não sou alienado, sou cidadão assim como qualquer outro cidadão, nós LGTBs precisamos de nossos direitos assegurados, de respeito e de reconhecimento por parte do LEGISLATIVO, EXECUTIVO e JUDICIÁRIO!

É um RETROCESSO para um Estado Democrático de DIREITO, é uma violação de nossos direitos, os últimos acontecimentos deixaram claro o quão ainda somos MARGINALIZADOS, somos sabedores do quanto ainda iremos enfrentar para que tenhamos também nossos direitos assegurados em nossa Constituição, não calarão nossas mentes e corações, por um mundo sem machismo, racismo e homofobia!


Registro meu total repúdio ao Deputado Moisés Diniz, ao Vereador Rodrigo Pinto, ao apresentador Alan Rick e aos evangélicos fundamentalistas.

Att,

Carlos Gomes

CN pelo Acre no 8º ENUDS

Graduando em Comunicação Social – Jornalismo

Graduando em Serviço Social

Associação de Homossexuais do Acre - AHAC

PSOL – Poder Popular – MTL

A saída é pela esquerda!

“Liberdade para mim é pouco, o que eu quero ainda não tem nome”

domingo, 19 de julho de 2009

Momentos e imagens!





























sexta-feira, 10 de julho de 2009

O armário e nossas vidas!?!?


Muitos LGBTs reproduzem a lógica hegemônica heterossexual, se condicionam ao que é estabelecido e não “vivem” suas sexualidades e afetividades, podemos fazer vários recortes no universo LGBT, várias são as privações, mas farei alusão a um caso que vivenciei nos últimos tempos, um “amigo” me repreendeu por fazer carinho (leia-se cafuné), enfim, parei para analisar e percebi o quão LGBTs reproduzem a heteronormatividade, se condicionam a “caixa” do conservadorismo e fundamentalismo (reacionário) que foi construído e reafirmado nas relações sociais, somos iguais e precisamos viver nossas vidas, temos momentos públicos e privados, coletivos e particulares assim como heterossexuais têm seus momentos entre quatro paredes (particular) e seus momentos de carinho e afeto em público (coletivo), precisamos fazer um exercício básico todos os dias, reconhecer nas outras pessoas os mesmo direitos que almejamos e desejamos todos os dias, se ser único e verdadeiro é transgredir? Então sejamos transgressores! Não podemos negar nossa existência nem tão pouco a diversidade que permeia nossas vidas, somos diversos e precisamos ser respeitados enquanto tal.